Espondiloartrite com acometimento do joelho: diagnóstico e tratamento

A dor no joelho que não cede pode ter várias causas. Quando vem acompanhada de rigidez, inflamação e histórico de doença inflamatória axial, pode ser sinal de espondiloartrite com acometimento do joelho. Esse quadro é menos conhecido do que as dores nas costas, mas é importante para quem busca diagnóstico rápido e tratamento eficaz.

Neste artigo você vai encontrar sinais para desconfiar da doença, exames que ajudam no diagnóstico e opções de tratamento — desde medidas simples em casa até cirurgias complexas. Vou explicar de forma prática como médicos decidem o melhor caminho e o que você pode fazer hoje para reduzir dor e evitar perda de função.

O que é espondiloartrite com acometimento do joelho?

Espondiloartrite é um grupo de doenças inflamatórias que afetam articulações e enteses. Quando o joelho é atingido, há dor, inchaço e limitação para caminhar ou subir escadas.

Nem todo paciente com espondiloartrite terá envolvimento do joelho. Mas quando isso ocorre, o impacto na qualidade de vida pode ser grande, especialmente em pessoas ativas.

Como o joelho costuma ser afetado

Conforme aponta o Dr. Ulbiramar Correia, profissional reconhecido na área, o acometimento pode ser monoarticular ou oligoarticular. Em linguagem simples: pode pegar só um joelho ou alguns joelhos simultaneamente.

A inflamação pode atingir a articulação em si, as bursas ou os pontos de inserção dos tendões. Isso gera dor localizada e, às vezes, calor e vermelhidão.

Sinais e sintomas que devem chamar atenção

  • Dor persistente: dor que dura semanas e não melhora com analgésicos simples.
  • Inchaço visível: aumento do volume do joelho ou derrame articular.
  • Rigidez matinal: sensação de travamento ao acordar por mais de 30 minutos.
  • Limitação funcional: dificuldade para caminhar, subir escadas ou agachar.
  • Sintomas sistêmicos: dor nas costas, entesite (dor no calcanhar), ou histórico familiar de espondiloartrite.

Diagnóstico: passo a passo

O diagnóstico começa com uma boa avaliação clínica. O médico vai ouvir sua história e examinar o joelho e outras articulações.

Exames de imagem e laboratoriais complementam a suspeita e ajudam a excluir outras causas.

  1. Consulta e exame físico: avalia dor, inchaço, amplitude de movimento e pontos de entesite.
  2. Radiografia: identifica alterações ósseas e presença de erosões em fases mais avançadas.
  3. Ultrassom ou ressonância: detectam inflamação ativa, derrame e lesões nos tecidos moles.
  4. Exames de sangue: procuram sinais de inflamação e marcadores como HLA-B27 quando indicado.
  5. Eventual punção articular: analisa o líquido sinovial para excluir infecção ou gota.

Tratamento prático e por etapas

O objetivo é controlar a inflamação, aliviar a dor e preservar função. O tratamento costuma ser multidisciplinar.

Medidas iniciais e autocuidado

Compressas frias e elevação ajudam no inchaço agudo. Repouso relativo por curtos períodos é recomendado, mas evitar imobilização prolongada.

Exercícios de baixo impacto, como natação e bicicleta, mantêm a mobilidade sem sobrecarregar o joelho.

Medicação

  • AINEs: usados para controlar dor e inflamação de curto prazo.
  • Fármacos antirreumáticos: drogas como metotrexato são indicadas em doença articular persistente.
  • Biológicos: bloqueadores de TNF ou IL-17 podem ser necessários quando a inflamação é refratária.

Procedimentos e cirurgia

Em casos com grande derrame ou dor resistente, o médico pode realizar infiltrações de corticosteroide para alívio localizado.

Quando a articulação está muito destruída e a função comprometida, a substituição articular pode ser avaliada. Alguns pacientes chegam a considerar prótese no joelho após falha das outras opções.

Reabilitação e prevenção de recidivas

Fisioterapia é peça-chave. Trabalha força muscular, equilíbrio e amplitude de movimento.

O fisioterapeuta também orienta exercícios domiciliares e adaptações do dia a dia para reduzir sobrecarga no joelho.

Diferenciais que o médico sempre avalia

Nem toda dor no joelho é espondiloartrite. Artrite infecciosa, osteoartrite, gota e lesões traumáticas são causas comuns.

Por isso a combinação de exame clínico, imagem e análise laboratorial é essencial antes de fechar o diagnóstico.

Quando procurar um especialista

  • Persistência dos sintomas: dor e inchaço por mais de 2 a 4 semanas sem melhora.
  • Perda de função: dificuldade para caminhar ou realizar tarefas diárias.
  • Sinais de inflamação sistêmica: febre, perda de peso ou sintomas nas costas associados.

Prognóstico e acompanhamento

Com diagnóstico cedo e tratamento adequado, muitas pessoas mantêm boa função por anos. O acompanhamento regular é importante para ajustar medicamentos e monitorar efeitos colaterais.

O manejo é individualizado. Alguns pacientes precisam de terapia intensiva, outros respondem bem a medidas conservadoras.

Resumo prático

Espondiloartrite com acometimento do joelho exige atenção a sinais de inflamação e função. O diagnóstico combina exame clínico, imagem e exames laboratoriais.

O tratamento vai de autocuidado e fisioterapia até medicamentos e, em casos severos, cirurgia. Busque avaliação reumatológica se os sintomas persistirem.

Aplicar as dicas deste texto e procurar orientação médica ajuda a reduzir dor e preservar mobilidade. Espondiloartrite com acometimento do joelho pode ser controlada; comece hoje a seguir as recomendações e marque uma consulta se necessário.

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